JOSÉ CARLOS SCHWARZ SEMPRE

Se a Guiné-Bissau tivesse, ainda vivo, um dos seus filhos mais prodigioso na música, ele faria 63 anos de idade hoje! 
A voz inconfundível do impulsionador, unanimemente reconhecido, como pioneiro da música moderna guineense que morreu cedo, cedo demais - aos 27 anos - marca a história cultural. Poeta, músico e compositor desde cedo criou o seu estilo e ainda hoje faz furor a quem ouve as suas músicas... e nos músicos espelha-se a admiração pelo trabalho deste enorme activista que fazia da música a sua arma para intervenção social. Lutou durante colonialismo e depois fez questão de cantar para alertar sobre os caminhos no período da liberdade conquista.
Lembro bem da emoção com que Manecas Costa se referiu ao José Carlos Schwarz e a influência deste no seu percurso musical (quando o entrevistei). Lembro de comover-me ao ouvir Eneida Marta confessar o que mais deseja depois da morte - um dueto com José Carlos - e mais emocionado ainda lembro de estar na Polónia conversar com um velho que tinha olhos a brilhar a falar deste Sr. da música. 
Não sou dado - pelo menos luto para não - aos sentimentos como orgulho, penso que carregam alguma irracionalidade. Mas curvo-me perante este músico de vulto.  
O seu desaparecimento físico - porque vive em muitos de nós - demasiado prematuro, deixou a Cultura e  a Guiné-Bissau muito mais pobre.   
Recordar e divulgar JCS é um trabalho fundamental para todos os guineenses, e sobretudo, e aqueles que podem fazê-lo através deste mundo virtual, por isso uma palavra de agradecimento ao www.didinho.org que em boa hora fez um excelente trabalho, em 2009, que podem aceder aqui Memorável José Carlos Schwarz.   



Poesia de José Carlos Schwarz 

ANTES DE PARTIR 

Antes de Partir 
Encherei os meus olhos, a minha memória 
Do verde (verde, verde!) do meu País
Para que quando tomado pela saudade
Verde seja a esperança
Do regresso breve

Antes de partir 
Encherei os meus ouvidos, a minha memória
Do palpitar que esmorece, enquanto a noite
Cresce sobre a cidade e no campo
Feito o silêncio dos homens e dos rádis...

CANTA CAMARADA

Canta camarada
Deixa que o teu verdade 
Flua límpido nos anseios da tua voz quente
Pois este é o teu dever, o teu direito.

Canta camarada
Que a recordação da tua dor
Seja como a terra revolvida
Em cada época, para a sementeira.

Canta camarada
Apenas alguns nomes, para que seja o anónimo
Apenas os mortos, porque os vivos 
Ainda podem desmerecer da nossa gratidão 

Canta camarada 
Pois é a única benesse
Que te reservaste na oferta da tua juventude
Em Holocausto no altar da revolução. 

In Antologia Poética da Guiné-Bissau

Eis a minha, humilde, homenagem. 
JCS SEMPRE! 

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